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Com que máscara eu vou? Especialista diz que uso incorreto amplia risco de contágio

ABRIL VERDE: O ALCANCE DA MATURIDADE NO UNIVERSO DISCIPLINAR


Por: Sandro Azevedo

Em: 13/04/2020

Em matéria recentemente publicada no site: olivre, as dúvidas no tocante à utilização de máscaras na prevenção do COVID-19, ainda são realidade nos estados brasileiros. É o que vemos a seguir.

Máscaras cirúrgicas, antes restritas aos ambientes hospitalares, ganharam ares de glamour. Agora, elas são artigo de luxo, devido à raridade no mercado por conta do novo coronavírus, e desenvolvidas por costureiras em todas as cores e tecidos.

Basta olhar nos sites de compras on-line ou na empreendedora mais próxima. Elas custam entre R$ 10 e R$ 18 e têm como principal diferencial o fato de serem laváveis – ou seja, reutilizáveis -, além de estilosas.

Contudo, o especialista e presidente do Sindicato dos Técnicos em Segurança do Trabalho no Estado de Mato Grosso, Antônio Santana, explica que o uso incorreto da “proteção” na rua pode, na verdade, aumentar o risco de contágio e que o algodão não é um material apropriado para conter um vírus.

Segundo Santana, a medida mais eficiente é, sem dúvida, manter o distanciamento das outras pessoas. Ele considera a máscara um até método perigoso, no qual o “tiro pode sair pela culatra”.

“O ideal é que seja descartável, já que a pessoa joga fora antes de chegar em casa. Quando é lavável, ainda se mistura com as coisas da família e já se sabe que o vírus tem um período de sobrevivência em superfície”, ele explica.

Outro ponto abordado pelo especialista é com relação a lavagem, que nem sempre é eficiente e promove a correta esterilização do apetrecho.

Poluição, fungos e bactérias

Quem passa o dia todo com a máscara ainda carrega no rosto a poluição, fungos e bactérias que ficam alojadas no tecido. O técnico em Segurança lembra que todos os elementos causam outras doenças respiratórias.

Além do mais, tem o fato de ela poder estar úmida por conta de suor ou de um espirro, por exemplo, tornando-lhe peça de um viveiro ainda mais atrativo para estes micro-organismos.

O profissional alerta ainda que máscaras usadas por cabeleireiros e cozinheiros, por exemplo, não são adequadas para se proteger contra o coronavírus. Elas são apenas para evitar que saliva caia sobre o cliente. A durabilidade é de, no máximo, 2 horas.

Dentro do Hospital

Além do tipo de máscara, Santana diz que a proteção dos profissionais que atuam na saúde depende das trocas frequentes de outros Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e ainda da qualidade desses itens, que precisam ser certificados.

Dentro dos hospitais, o indicado pelas regras de segurança é uma máscara cirúrgica usada corretamente, cobrindo a boca e o nariz. Ela deve ser trocada sempre que ficar suja ou úmida e a cada vez que o trabalhador entrar em contato com ambiente onde há pessoas infectadas.

Caso ele saia do local e continue com a máscara, levará o vírus até os demais membros da equipe, o que pode contaminar os colegas. O mesmo deve ser feito com jalecos e luvas.

Palavra da FENATEST

Para a Federação Nacional dos Técnicos em Segurança do Trabalho, através do seu Segundo Secretário Geral, o Sr. Sandro de Menezes Azevedo, também especialista de Segurança na área de saúde e Consultor Técnico em Gestão de Riscos Hospitalares, esta situação é de extrema relevância:

“O uso de máscaras, dentro de suas especificidades, é fundamental para profissionais de saúde e para pessoas que cuidam de pacientes ou mesmo de familiares, em casa ou em estabelecimentos de saúde. De acordo com a OMS, recomendações e cuidados especiais, devem ser tomados para a contenção do COVID-19, a exemplo de evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias agudas, realizar lavagem frequente das mãos, utilizar lenço descartável para higiene nasal, cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir, evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca, Higienizar as mãos após tossir ou espirrar, não compartilhar objetos de uso pessoal, manter os ambientes bem ventilados, evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença, e evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações.”

“Precisamos nos conscientizar de que os Técnicos em Segurança do Trabalho, nas empresas, têm um expressivo papel na orientação dos trabalhadores, como na garantia de protocolos seguros, nas mais diversas situações, afinal de contas, trazem como premissa, acima de todas as instâncias, a prevenção de acidentes e de doenças no ambiente de trabalho. Portanto, o uso de máscaras é recomendado para profissionais de saúde e pacientes infectados que circulam em ambientes públicos ou hospitalares".

“A recomendação para quem usa a máscara, é utilizá-la perfeitamente ajustada ao rosto, sem vãos laterais que permitam a circulação de gotículas que possam estar contaminadas. Outro detalhe a ser considerado, é a não utilização de barba por parte dos homens, visto que a mesma torna-se factível ao acúmulo de gotículas contaminadas, além de facultar ao seu portador, uma maior vulnerabilidade à doença.”

“Devemos considerar a transmissão comunitária, que atualmente já é uma realidade em vários estados brasileiros, o que significa que o vírus já está circulando livremente pela sociedade, portanto, a utilização de máscaras faciais, seja na garantia da contenção do vírus, em situações pertinentes, ou mesmo, como simples barreira mecânica, faz-se imprescindível para prevenirmos o alastramento desta pandemia . Em uma nação continental como a nossa, cidades e estados podem vivenciar as fases da epidemia em tempos diferentes, e por isso, todos devemos estar preparados.”

Sandro de Menezes Azevedo

Presidente/ASPROTEST

Diretor de Assuntos Jurídicos e de Eventos/SINTEST-SE

Segundo Secretário Geral/FENATEST