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INCÊNDIO NA BOATE KISS.

INCÊNDIO NA BOATE KISS

Incêndio na Boate Kiss

Por iniciativa do Senador Paulo Paim, foi realizado uma audiência publica no Senado, como ato finalista de um projeto de Lei de prevenção de incêndios e tragédias, neste dia 17 de Agosto de 2015. A Fenatest foi convidada para opinar, cujo conteúdo apresentado esta descrito na integra a baixo:

TREGÉDIAS POR INCÊNDIOS NO BRASIL

1. Uma vingança provocou a maior tragédia envolvendo incêndios no Brasil. Era 15 de dezembro de 1961, em Niterói, no Rio de Janeiro, onde estava instalado o Gran Circo Norte-Americano. No local, 503 pessoas morreram, vítimas de 3 assassinos.

Três mil pessoas assistiam ao espetáculo. De cada dez mortos, sete eram crianças. A história da tragédia foi reconstituída no programa Linha Direta, em junho de 2006. Adilson Neves e José dos Santos foram condenados pelo crime.

Adilson havia sido contratado para ajudar a erguer a grande lona do picadeiro, mas se desentendeu com o dono do circo. Foi demitido e jurou vingança. Junto aos dois comparsas, usou gasolina para incendiar o circo no fim do espetáculo, com arquibancadas lotadas. Foram 20 minutos de inferno.

2. Outra tragédia aconteceu no dia 24 de fevereiro de 1972: até hoje ninguém sabe ao certo o que iniciou o fogo no segundo andar do Edificio Andraus, no centro de São Paulo. Em minutos, explosões fizeram a estrutura do prédio de 32 andares tremer. Foram 16 mortos e 330 feridos. Os sobreviventes foram retirados de helicópteros, no terraço, e por um ponte improvisada que uniu o Andraus em chamas a outro prédio.

3. Quase dois anos depois, no dia promeiro de fevereiro de 1974, um curto-circuito num aparelho de ar-condicionado começou um incêndio, também em São Paulo, que matou 188 pessoas e deixou 345 feridos. A tragédia do Edifício Joelma aconteceu três anos depois da inauguração do grande prédio de 25 andares. Pela TV o Brasil acompanhou o desespero das pessoas que refugiaram no topo do prédio e as tentativas de resgate feitas por helicópteros. Depois das as oito horas e meia de fogo, cinco pessoas foram condenadas por crime de negligencia e omissão, mas ninguém foi preso.

4. Mais dois anos e foi a vez de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, ver um dos seus prédios comerciais mais tradicionais (Renner) ser destruído pelas chamas. No incêndio de uma loja de departamento, em 1976, 41 pessoas morreram. Mais de 60 ficaram feridas. Os helicópteros não conseguiram salvar ninguém porque não tinham como alcançar o topo do prédio de sete andares.

5. No Dia 17 de fevereiro de 1986, o fogo destruiu o edifício Andorinha, um prédio comercial no centro do Rio de Janeiro. Faltaram água e equipamentos para os bombeiros. 23 pessoas morreram, 40 ficaram feridas.

6. No dia 20 de junho de 2000, um curto-circuito num aquecedor incendiou uma creche em Uruguiana, no Rio Grande do Sul. Doze crianças, que tinham entre 2 e 4 anos, morreram deitadas nos colchões em que dormiam após o almoço. A diretora da creche e uma funcionária foram condenadas por homicídio.

7. 24 de novembro de 2001. Show no Canecão Mineiro, em Belo Horizonte. Um acidente com uma queima de fogos no palco fez as chamas se espalharem rapidamente. Sete mortos, mais de 300 feridos. A casa de espetáculo não tinha alvará. O proprietário, um produtor e dois músicos foram condenados.

Das tragédias nos grandes prédios, vieram mudanças. Materiais de construção mais seguros, exigências de saídas de emergência para casos de incêndio. Novos equipamentos para os bombeiros.

A cada desastre, a cada tragédia marcada pelo fogo, aprendemos, tiramos lições, mas também voltamos ao luto, dividimos a dor e a solidariedade.

8. O incêndio na boate Kiss matou 243, entre os quais 17 funcionários da Boate Kiss. pessoas e feriu 680 outras numa discoteca da cidade de Santa Maria, no estado Brasileiro doRio Grande do Sul. O incêndio ocorreu na madrugada do dia 27 de Janeiro de 2013 e foi causado pelo acendimento de um sinalizador por um integrante de uma banda que se apresentava na casa noturna. A imprudência e as más condições de segurança ocasionaram a morte de mais de duas centenas de pessoas.

O sinistro foi considerado a segunda maior tragédia no Brasil em número de vítimas em um incêndio, sendo superado apenas pela tragédia do Gran Circus Norte-Americano, ocorrida em 1961, em Niteroi, que vitimou 503 pessoas; Classificou-se também como a quinta maior tragédia da história do Brasil, a maior do Rio Grande do Sul, a de maior número de mortos nos últimos cinquenta anos no Brasil e o terceiro maior desastre em casas noturnas no mundo.

Procedeu-se a uma investigação para a apuração das responsabilidades dos envolvidos, dentre eles os integrantes da banda, os donos da casa noturna e o poder público

Neste momento rezamos e choramos por SANTA MARIA, 243 mortes. 2 anos depois ninguém foi condenado. Será esta será mais uma tragédia que resultará em pizza. Até quando?

DE TRAGÉDIA EM TRAGÉDIA A HISTÓRIA SE REPETE

O que acontece após as tragédias dos acidentes de grandes repercussões é de subestimar a inteligência de qualquer cidadão de bom-senso. Vejamos: em todos os grandes acidentes, os argumentos das autoridades se repetem exatamente da mesma maneira, ou seja, “foi fatalidade”, “somente laudos esclarecerão as causas”, “daremos todo o apoio psicológico e assistencial aos familiares”. Assim foi na morte do Ayrton Senna, nas 7 mortes nas construções dos estádios para a Copa do Mundo, dos 10 trabalhadores mortos no desabamento em São Mateus-SP, no incêndio da boate Kiss e tantos outros. O que não se comenta é que o acidente acontece onde a prevenção falha, na total falta de cultura prevencionista e que somente se faz prevenção com comprometimento, informação e investimento. O resto é politicagem e desvio de foco.

A explosão de uma academia de ginástica em São Bernardo do Campo, os 300 mortos na mina de carvão do Egito, entre outros, todos os casos a tragédia servem para mexer com os brios dos que têm o poder de transformação, a exemplo da Fórmula 1, que mudou todas as regras e concepção de seus carros. O caso dos 33 mineiros do Chile provocou uma revolução na prevenção naquele país. No caso do Brasil, é mais comum a promoção de atos heróicos pela retirada de cadáveres debaixo dos escombros do que o investimento na prevenção e promoção das boas práticas preventivas. Estamos sujeitos a um sistema que sequer faz contagem real das vítimas de acidentes e de adoecimentos.

Promovemos a criação de uma Frente Parlamentar pela Segurança e Saúde no Trabalho na Câmara dos Deputados, que tem como missão no mínimo fazer com que a Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho (Decreto 7.602/2001) saia do papel, o que seria uma grande esperança de ampliação das ações prevencionistas de forma universalizada para todos os trabalhadores e da promoção da cultura prevencionista em nosso Brasil.

Incêndio na Boate Kiss

Armando Henrique

Presidente - FENATEST

Dir. Força Sindical

Dir. Sintesp